Leitura- Depois dos quinze:

8645dc9861e211e2a2fe22000a1f8ce3_7

 

Oi meninas! Mostrei a vocês a pouco tempo uma listinha de presentes que eu quero ganhar- ou espero, pelo menos- e uma amiga querida minha, me deu o livro da autora e também blogueira Bruna Vieira . Já lia antes os textos que ela escrevia e postava, mas quando fiquei sabendo que ela fez um livro, fiquei louca pra comprar, demorou, mais já tenho em mãos e vou ser sincera: A-DO-REI o livro e recomendo que todas vocês comprem, até porque não é a toa que o livro é um dos mais vendidos na Saraiva certo ?

a8058e7861e211e2bbe622000a9f1270_7

 

Pra quem não sabe, o livro é composto por vários textos da autora, no mesmo estilo dos textos do blog dela. Também relata alguns segredos e alguns textos da vida da mesma com uma linguagem simples..Quase um diário!!!!

 

Bruna Vieira tem 18 anos, é colunista da
revista CAPRICHO e dona do blog DEPOIS DOS QUINZE.
Começou a escrever porque descobriu que
o amor da sua vida era, na verdade, apenas o amor
de uma das centenas de fases que ela já viveu.

Desde então, coma ordem das palavras escritas e
compartilhadas nas redes sociais, Bruna superou
a timidez,viajou para Europa, fez duas
tatuagens, mudou de vez para São Paulo e
tornou-se uma das adolescentes brasileiras
mais influentes da internet, com milhares de
fãs-leitoras-amigas-seguidoras.

Neste Livro você encontra  uma mistura de histórias,
desabafos e segredos de uma garota que nasceu no
interior, ama animais, usa boinas coloridas e
ainda acredita no amor simples e verdadeiro.

O dia antes de ontem:

Por: Nunca fui miss

Poucas coisas nessa vida são tão loucas como levar um choque de realidade, olhar no espelho de manhã ou sofrer um acidente de carro. Parece besteira, mas depois do que passei ontem e o nervosismo que tomou conta de mim, parei pra pensar em um monte de coisas. Eu tava saindo de casa com o bofe, as pistas molhadas, uma chuva tímida e nós com um pouco de pressa e deu nisso, quase fomos desfiladeiro a baixo, algo tão atípico pra um domingo nublado que para me recompor levou um tempinho. O que importa é que ficamos bem, ok. O carro nem tanto, mas ficamos bem. Quando cheguei em terra firme, meu pescoço ainda um pouco dolorido por conta do movimento brusco, me fazia lembrar o quão perto estive de me ferrar naquela hora. Ok, foi por pouco, foi por pouquinho.

Aí eu tentei dormir, tentei, tentei, mas nada tirava aquele momento da minha cabeça e comecei a pensar milhões de coisas por segundo, minha cabeça foi começando a doer e bingo: cheguei onde queria. É isso. A vida é mesmo muito frágil, muito pequena, muito passageira, quem pensa que é dono de si ou de alguma coisa está enganado. Precisamos levar as coisas SIM mais a sério, pra que o seu tempo passe e você não seja pego brincando. Tudo pode acabar em alguns segundos, tudo pode acontecer de um jeito totalmente diferente. Você falou que ama? Você fez tudo que queria fazer? Você foi orgulhosa demais? Você conseguiu o que queria se esforçando pra ser indiferente? É tudo besteira, é tudo perda de tempo, é tudo perda de tudo! Como a gente perde tempo sendo imaturos e imbecis com quem não merece, como a gente perde tempo pensando só no próprio umbigo. Credo. De hoje em diante eu prometo pra mim mesma que vou me importar menos com esse tipo de coisa e mais com quem tá aqui do meu lado, com a vida que tá aqui comigo e com as oportunidades que tão aí só me esperando. As demais coisas vou deixar passar. Espero na terça-feira acordar com menos dessas imagens na minha cabeça e só pensar no que ainda vai acontecer.

LARA:

Por: Marcela Brafman

Lara tem essa mania de sentir com o pensamento. Caramba, como sente. Pensa e já arrepia. Voa longe. Principalmente quando escuta junto alguma música. Dá pra imaginar muita coisa, pensa Lara. Dá pra pensar muita coisa, imagina Lara. Lara é todo aquele turbilhão.
A moça ofende a si mesma quando pensa algo tão surreal. A música que combina com ele pegando na cintura dela, com ele abrindo um vinho barato, com ele ofegante depois de fazer amor. Ela voa. Pensa no jeito dele de vestir que nem é o jeito dele de verdade. Gostou de um tênis que viu num filme, e quis que ele usasse exatamente esse tênis no seu pensamento. Quis também a blusa xadrez, e ele provavelmente nem tem disso no armário.
Lara termina todos os dias exausta de tanto imaginar. É sempre Ele e Ela. De um jeito desenfreado, totalmente torto. Ela começa suas noites pedindo para que, por favor, ele desapareça um pouco da sua mente e vá passear. Vai, nessa, moço. Vá um pouco para a cabeça de quem não se importa muito, de quem pensa Nele entre dois pensamentos bobos, como o que vai comer no almoço e o que vai pedir no jantar. É que nela, Ele gruda. Nos outros, ele é só aquele moço atravessando a rua. Ela pararia o tempo só para vê-lo atravessando a rua. O amor é um pouco sacana mesmo, conclui Lara. Na sua rua, Ele nunca passa. Para Lara, que trocaria os segundos para tê-lo perto, Ele nunca está.
De repente, Lara percebe que pensou demais. Que ao vivo é tudo diferente. Viver dentro do pensamento é muito mais quentinho e seguro. É um mundo particular. Ser um turbilhão de pensamentos é viver tudo que a gente sente, sem precisar ter vivido. Duas vidas em uma só. De alguma forma, a gente tem algo que queria da forma mais sincera do mundo, por perto. O mundo lá fora deveria ser igual a tudo que imaginamos do fundo da alma. O mundo lá fora deveria ser mais quentinho e seguro também. Pobre, Lara.

VAIDADE

Por: Nunca fui miss

Depois de algum tempo vendo fotos aleatórias na internet eu percebi o quão fúteis podemos ser e nem percebemos. Futilidade num sentido mais amplo, nada relacionado ao ato de pensar só em roupas, sapatos, não essa futilidade relacionada ao consumo. Pensei naquela futilidade abstrata, que a gente não sabe que tem ou não assume mesmo, mas que está na cara, nas ruas e em qualquer lugar: aquela de não ligar muito pra vida ou para as coisas importantes. Viver em um mundo onde os humanos têm o controle não é fácil, ou você se torna igual a todos ou você não é ninguém e as pessoas sempre querem ser alguém, o ser humano é um vermezinho que se alimenta de reconhecimento, seja por algo que fizeram ou falaram, ele quere ser reconhecido, é essencial, isso completa. Mas é tudo ilusão.

Nada dura para sempre, nada que seja feito de um matéria tão frágil como nós, tão sujeitos ao envelhecimento ou às peças que a vida nos prega. As coisas têm um tempo de duração, no final das contas todos somos frágeis, tudo é frágil. Pode parecer meio clichê falar disso, mas enquanto você vive pensando apenas nas coisas que pode ter, pensando no que as pessoas que estão ao seu redor podem ter ou no que você deve fazer para também ter, você acaba esquecendo o mais importante de tudo: o ser. O sonhar, o sorrir, o amar, o fazer o bem sem olhar a quem… Ser reconhecido pelo mundo inteiro e não saber nem mesmo quem você é vale de alguma coisa?

A vida não é só aquilo que está aos seus olhos ou aquilo que você pode tocar, nem é só aquilo que passa na tv ou chega até você através do seu computador. Isso daí é efêmero, é coisa de gente, e como gente, acaba. Aquilo que está dentro de você é eterno, é o que fica. No final das contas é o que mais faz sentido. Não vou dizer que nada disso também não importe, mas o que quero dizer é que deve ter uma importância menor. Ser cheio de si, quando você é vazio é o mesmo que nada. Acredito que a chave é tentar ser menos humano e mais amor. O resto é tudo futilidade, tudo coisa passageira, tudo que vem e vai, é apenas vaidade.

EXISTE SEMPRE UM NUNCA MAIS

Por: Marcella Brafman

Ele foi a minha adolescência. Ele me acolheu com todas as espinhas, choros e a crise eterna que eu mantinha dentro e fora de mim. Brincava de ser pai, de me mandar estudar Matemática, enquanto ele tinha para o dia seguinte um trabalho de Filosofia ou Antropologia. Ria das minhas gírias, da minha baixa-estima e dos cachos que meu cabelão preto fazia nas pontas. Ele ria de mim. Eu o chamava de “meu namorado”, e ele me chamava pelo nome. Dizia que nossos pais nunca iam aceitar, ele, justo ele, dez anos mais velho que eu (na identidade) e eu nos meados da minha puberdade. Aí ele mentia. Mentia porque eu era divertida e achava que ele cantava bem. Eu mentia. Ele cantava mal. Ele me fazia mal.

Com ele eu chorei, me apaixonei e achei que amei. Tudo junto. Escrevi cartas que até a última mudança de apartamento, estavam numa caixa de sapato que sei lá onde estão – se é que estão. Ele dizia que eu nunca conseguiria ser a jornalista que tanto sonhava, que eu pensava alto demais. E falava demais, também. Eu dizia que um dia ia escrever sobre ele, em uma daquelas colunas finais de revistas que falavam de amor. Ele riu e disse que isso nunca ia acontecer, porque ele não merecia. Ele realmente não merecia.

Ele segurou minha cintura, me levou no carro preto do seu pai para ver o mais bonito pôr-do-sol. Nesse dia choveu. Ele dedicou uma música do John Mayer para mim. Nunca haviam dedicado músicas para mim. Quanto mais do John Mayer. A mais melosa dele. Ele foi o primeiro a pagar a conta, a me deixar dirigir, me libertar para sofrer e brincar de amar. Aquilo não era amor. Dos mais sinceros homens que conheci, ele soube me dizer Adeus. Mas espera aí. Homens nunca dizem Adeus, eu li isso em algum livro. Estou me despedindo garota, se cuida, até nunca mais. Ele disse nunca mais.

Hoje, o trânsito estava péssimo, habitualmente engarrafado e deixando todos os estagiários e contratados que saiam de seus trabalhos malucos. As buzinas do meu lado esquerdo e direito, eram como gritos de “Ei, deixa eu passar! Não vejo a hora de chegar em casa, tomar um bom banho e jantar!”. Em um desses saculejos do caminho que me separava da tranquilidade que é estar embaixo do meu cobertor quente e a saída do escritório, um carro preto pediu passagem, piscando os faróis. Pois bem, desesperado do trânsito, pode passar. Socorro. Nó no estômago. Eu sabia que era ele. O carro não era o mesmo, mas ainda era preto. Nos reconhecemos entre os vidros.

Jogado no banco do passageiro, sem a pretensão de ser lembrada por ninguém, meu celular vibrou.

“Obrigado pela gentileza. Você está linda com o cabelo mais curto. Vamos sair um dia desses?”
“Me desculpa, mas, eu não sei quem é você.”

Nunca mais é muito tempo. Mas é o suficiente para tirar as pessoas das nossas vidas. Por muito – e necessário – tempo.

Leitura- Conselho Barato :

 

 

Por: Nunca Fui  Miss

Vai nessa de achar que todo mundo está esperando você cair pra te dar as mãos e te ajudar a levantar, vai achando que todos são seus amigos o suficiente pra te dar aquela forcinha. Aliás, vai confiando em todo mundo pra você ver. Às vezes, sou meio pessimista, confesso; em relação às coisas, às pessoas, aos momentos, mas tem horas que eu sou apenas realista mesmo e essa realidade pode ser bem cruel com a gente. Quantas pessoas já foram enganadas por confiar demais em alguém? Não existe um número exato, nem existe lógica pra isso, mas é a vida.

Eu tenho criado algumas alternativas para não me decepcionar com as pessoas, mas a receita nunca funciona. Por que raios a gente não pode viver sem esperar dos outros alguma coisa? Por que cargas d’água viver a nossa vida e confiar apenas em nós mesmos não é o suficiente? As teorias não funcionam, a prática muito menos. Seria um universo ideal aquele onde as pessoas são sensatas o bastante para não te deixarem de cara no chão ou falarem mal de você pra alguém. Seria uma realidade perfeita aquela onde as pessoas que dizem ser seus amigos são realmente seus parceiros e não estão do seu lado por interesse ou algo do tipo. Acho que hoje se encontrasse com a fada do dente daria umas belas porradas nela por não ter feito o que eu pedi…

Dizem que a situação é como você vê e o drama é o do tamanho que você sente. Eu tenho sentido muita gente hipócrita e falsa ultimamente, que se aproveita de situações, que manipula diálogos e sempre sai por cima. Tenho visto uma série de devaneios meus iniciando com droga e terminando com por que-fiz-isso-de-novo?. Acho que nos acostumamos tanto com as mesmas coisas chatas de sempre que nunca paramos pra pensar em mudar a tal coisa que incomoda.

Daí reclamar é sempre o mais fácil, é sempre o mais prático. Daí o gigante vai crescendo e tomando proporções inenarráveis. Daí você se pega deitada numa cama e pedindo oh, meu deus, que o mundo acabe. Daí você culpa alguém por estar nessa situação. Daí que se você continuar assim nada nunca vai mudar. Sério, pensar sobre essas coisas cansa, não é mesmo? É frustrante, é chato. Porque nunca vai funcionar do nosso jeito e se funcionasse ainda assim acharíamos defeitos.

Esse post não é um mantra pra ninguém seguir, não é nem algo que você deva concordar. É um desabafo, que pode até parecer conceitual demais, que talvez algumas pessoas até não entendam e achem que eu estou ficando pirada ou que baixou o meu açúcar. Talvez seja apenas um alerta pra você não confiar tanto nas pessoas que te dão aquele apoio superficial de sempre e um eu te amo barato nas redes sociais. Nem naquelas pessoas que enchem a sua bola ou puxam seu saco demasiadamente. Pra você, de repente, parar de aceitar ouvir aquela pessoa falando mal de alguém pra você, porque sabe que certamente ela falará mal de você pra alguém. E toda essa baboseira de sempre que você deve ser quem você quiser sem se importar com o que pensam e blá blá blá. Na real, sabe quem tem razão? Aquela pessoa que inventou o ditado popular do “ninguém tá ligando pro rabo de ninguém!” Chora, pode chorar, chora mesmo. Um dia a gente aprende a deixar o mimimi de lado e essas pessoas – sim, essas que nos fazem mal – também.

Leitura ”Anacrônico”:

Ultimamente ando lendo com mais frequência livros, textos em blogs e sites (intelectual pra sempre) sobre diversos temas, e acabei tendo uma ideia:Mostrar aqui no blog os textos que eu mais curti e os que eu mais recomendo que leiam. E hoje, vou mostrar o texto ”Anacrônico” (adj. Que está em desacordo com os usos e costumes de uma época; anticrônico: Antiquado, obsoleto, retrógrado.) da blogueira Bruna Vieira, que com certeza todos conhecem certo?!

Estou de salto. Passei maquiagem e até coloquei aquele vestido que você elogiou uma vez. Desobedeci meus pais. Deixei de lado minha última promessa. Quebrei meu cofre. Olhei no espelho antes de pegar a chave, e vi no reflexo o quanto mesmo depois de tanto tempo, você ainda me fazia ficar parecendo uma boba.

Desci as escadas e lá estava você. Vestindo a blusa que dei de aniversário em 2008. Exatamente com o mesmo sorriso que deixei. Caminhamos alguns minutos por aquela rua meio deserta que fica perto aqui de casa. Lembrei de todas as vezes que ficamos sentados ali na calçada conversando. Que saudade da sua voz. Que saudade do seu perfume no ar misturado com o meu.

Falamos de trabalho. Faculdade. Da viagem. Das suas garotas e dos meus novos amigos gays. Minha vontade era de calar sua boca, porque cara, ouvir sobre seu presente e lembrar que fiquei no passado era uma droga. Mas você gosta de mostrar o quanto sua vida mudou. Tudo bem. Eu aguento. Mais alguns passos. Mais algumas risadas. Chegamos.

Sabia que sair naquela sexta não era uma boa ideia. A cada coisa que dava errado enquanto eu aprontava, tipo achar meu sapato e o secador, tinha mais certeza disso. Mas eu sou teimosa e nem ligo pra essas coisas. Iria até de pijama. Não pensei que pirei. Eu só precisava saber até onde eu ainda iria por você.

Aquela multidão me fazia querer te abraçar. Eu odeio multidões e música alta. Mas eu amo você. Poderia jurar então que não estava tocando funk. Jurar que as pessoas ao nosso redor nem existiam. Eu só tinha olhos para os seus olhos. Como eles brilhavam. E eu sentia que um terremoto estava prestes a acontecer toda vez que você chegava mais perto. Diz no ouvido. Não tô ouvindo. Diz com a boca, mas diz na minha, porque é assim que vou entender tudo de mais importante que você tem à dizer.

Uma bebida. Sua barba. Luzes piscando. O xadrez da sua blusa. Roda gigante. Seus olhos. Alargador. Mãos na cintura. Poeira levantada. Sua boca. Minha boca. Nossa respiração. Foi.

Mesmo tendo vivido tanta coisa longe um do outro, algo ainda me conectava em você. Eu nem precisava contar nada. Sabíamos só de olhar. Independente das outras mensagensda caixa de entrada. Independente de onde estaríamos no próximo final de semana.

Lembro que você me perguntou como seria depois e eu chorei. Você levantou meu rosto com os dedos e perguntou porque eu estava triste. Eu te olhei e respondi que não era tristeza. Era alívio. Por saber que ainda existe alguma coisa no mundo que faz meu corpo tremer.

Nos abraçamos e ficamos conversando o resto da noite. Até você me deixar na porta de casa. Até eu te perder de vista na esquina. Deitei na cama do mesmo jeito que cheguei. Bati porta, ignorei broncas e deixei a luz apagada. Fico imaginando como seria voltar no tempo. Como se isso fosse mudar alguma coisa. Colocar a culpa no destino parece tão fácil quando o que falta mesmo na gente é coragem. Mas tudo bem. Em algum momento eu me perderia daqueles pensamentos e dormiria. No outro dia tudo fica menos complicado. Não é assim? Pra gente não.

Antigas lembranças nos levam para antigos lugares. Antigos lugares nos levam para antigas escolhas. Dúvidas são sempre uma merda.

Sabe aquela maldita sensação que fica quando um filme de comédia romântica acaba? Aquela que vem depois do “felizes para sempre”. The End. É exatamente assim que me sinto toda vez que a gente se vê. Sei que é pra sempre, mas sei também que mesmo assim, acabou.