EXISTE SEMPRE UM NUNCA MAIS

Por: Marcella Brafman

Ele foi a minha adolescência. Ele me acolheu com todas as espinhas, choros e a crise eterna que eu mantinha dentro e fora de mim. Brincava de ser pai, de me mandar estudar Matemática, enquanto ele tinha para o dia seguinte um trabalho de Filosofia ou Antropologia. Ria das minhas gírias, da minha baixa-estima e dos cachos que meu cabelão preto fazia nas pontas. Ele ria de mim. Eu o chamava de “meu namorado”, e ele me chamava pelo nome. Dizia que nossos pais nunca iam aceitar, ele, justo ele, dez anos mais velho que eu (na identidade) e eu nos meados da minha puberdade. Aí ele mentia. Mentia porque eu era divertida e achava que ele cantava bem. Eu mentia. Ele cantava mal. Ele me fazia mal.

Com ele eu chorei, me apaixonei e achei que amei. Tudo junto. Escrevi cartas que até a última mudança de apartamento, estavam numa caixa de sapato que sei lá onde estão – se é que estão. Ele dizia que eu nunca conseguiria ser a jornalista que tanto sonhava, que eu pensava alto demais. E falava demais, também. Eu dizia que um dia ia escrever sobre ele, em uma daquelas colunas finais de revistas que falavam de amor. Ele riu e disse que isso nunca ia acontecer, porque ele não merecia. Ele realmente não merecia.

Ele segurou minha cintura, me levou no carro preto do seu pai para ver o mais bonito pôr-do-sol. Nesse dia choveu. Ele dedicou uma música do John Mayer para mim. Nunca haviam dedicado músicas para mim. Quanto mais do John Mayer. A mais melosa dele. Ele foi o primeiro a pagar a conta, a me deixar dirigir, me libertar para sofrer e brincar de amar. Aquilo não era amor. Dos mais sinceros homens que conheci, ele soube me dizer Adeus. Mas espera aí. Homens nunca dizem Adeus, eu li isso em algum livro. Estou me despedindo garota, se cuida, até nunca mais. Ele disse nunca mais.

Hoje, o trânsito estava péssimo, habitualmente engarrafado e deixando todos os estagiários e contratados que saiam de seus trabalhos malucos. As buzinas do meu lado esquerdo e direito, eram como gritos de “Ei, deixa eu passar! Não vejo a hora de chegar em casa, tomar um bom banho e jantar!”. Em um desses saculejos do caminho que me separava da tranquilidade que é estar embaixo do meu cobertor quente e a saída do escritório, um carro preto pediu passagem, piscando os faróis. Pois bem, desesperado do trânsito, pode passar. Socorro. Nó no estômago. Eu sabia que era ele. O carro não era o mesmo, mas ainda era preto. Nos reconhecemos entre os vidros.

Jogado no banco do passageiro, sem a pretensão de ser lembrada por ninguém, meu celular vibrou.

“Obrigado pela gentileza. Você está linda com o cabelo mais curto. Vamos sair um dia desses?”
“Me desculpa, mas, eu não sei quem é você.”

Nunca mais é muito tempo. Mas é o suficiente para tirar as pessoas das nossas vidas. Por muito – e necessário – tempo.

Leitura- Conselho Barato :

 

 

Por: Nunca Fui  Miss

Vai nessa de achar que todo mundo está esperando você cair pra te dar as mãos e te ajudar a levantar, vai achando que todos são seus amigos o suficiente pra te dar aquela forcinha. Aliás, vai confiando em todo mundo pra você ver. Às vezes, sou meio pessimista, confesso; em relação às coisas, às pessoas, aos momentos, mas tem horas que eu sou apenas realista mesmo e essa realidade pode ser bem cruel com a gente. Quantas pessoas já foram enganadas por confiar demais em alguém? Não existe um número exato, nem existe lógica pra isso, mas é a vida.

Eu tenho criado algumas alternativas para não me decepcionar com as pessoas, mas a receita nunca funciona. Por que raios a gente não pode viver sem esperar dos outros alguma coisa? Por que cargas d’água viver a nossa vida e confiar apenas em nós mesmos não é o suficiente? As teorias não funcionam, a prática muito menos. Seria um universo ideal aquele onde as pessoas são sensatas o bastante para não te deixarem de cara no chão ou falarem mal de você pra alguém. Seria uma realidade perfeita aquela onde as pessoas que dizem ser seus amigos são realmente seus parceiros e não estão do seu lado por interesse ou algo do tipo. Acho que hoje se encontrasse com a fada do dente daria umas belas porradas nela por não ter feito o que eu pedi…

Dizem que a situação é como você vê e o drama é o do tamanho que você sente. Eu tenho sentido muita gente hipócrita e falsa ultimamente, que se aproveita de situações, que manipula diálogos e sempre sai por cima. Tenho visto uma série de devaneios meus iniciando com droga e terminando com por que-fiz-isso-de-novo?. Acho que nos acostumamos tanto com as mesmas coisas chatas de sempre que nunca paramos pra pensar em mudar a tal coisa que incomoda.

Daí reclamar é sempre o mais fácil, é sempre o mais prático. Daí o gigante vai crescendo e tomando proporções inenarráveis. Daí você se pega deitada numa cama e pedindo oh, meu deus, que o mundo acabe. Daí você culpa alguém por estar nessa situação. Daí que se você continuar assim nada nunca vai mudar. Sério, pensar sobre essas coisas cansa, não é mesmo? É frustrante, é chato. Porque nunca vai funcionar do nosso jeito e se funcionasse ainda assim acharíamos defeitos.

Esse post não é um mantra pra ninguém seguir, não é nem algo que você deva concordar. É um desabafo, que pode até parecer conceitual demais, que talvez algumas pessoas até não entendam e achem que eu estou ficando pirada ou que baixou o meu açúcar. Talvez seja apenas um alerta pra você não confiar tanto nas pessoas que te dão aquele apoio superficial de sempre e um eu te amo barato nas redes sociais. Nem naquelas pessoas que enchem a sua bola ou puxam seu saco demasiadamente. Pra você, de repente, parar de aceitar ouvir aquela pessoa falando mal de alguém pra você, porque sabe que certamente ela falará mal de você pra alguém. E toda essa baboseira de sempre que você deve ser quem você quiser sem se importar com o que pensam e blá blá blá. Na real, sabe quem tem razão? Aquela pessoa que inventou o ditado popular do “ninguém tá ligando pro rabo de ninguém!” Chora, pode chorar, chora mesmo. Um dia a gente aprende a deixar o mimimi de lado e essas pessoas – sim, essas que nos fazem mal – também.

Leitura ”Anacrônico”:

Ultimamente ando lendo com mais frequência livros, textos em blogs e sites (intelectual pra sempre) sobre diversos temas, e acabei tendo uma ideia:Mostrar aqui no blog os textos que eu mais curti e os que eu mais recomendo que leiam. E hoje, vou mostrar o texto ”Anacrônico” (adj. Que está em desacordo com os usos e costumes de uma época; anticrônico: Antiquado, obsoleto, retrógrado.) da blogueira Bruna Vieira, que com certeza todos conhecem certo?!

Estou de salto. Passei maquiagem e até coloquei aquele vestido que você elogiou uma vez. Desobedeci meus pais. Deixei de lado minha última promessa. Quebrei meu cofre. Olhei no espelho antes de pegar a chave, e vi no reflexo o quanto mesmo depois de tanto tempo, você ainda me fazia ficar parecendo uma boba.

Desci as escadas e lá estava você. Vestindo a blusa que dei de aniversário em 2008. Exatamente com o mesmo sorriso que deixei. Caminhamos alguns minutos por aquela rua meio deserta que fica perto aqui de casa. Lembrei de todas as vezes que ficamos sentados ali na calçada conversando. Que saudade da sua voz. Que saudade do seu perfume no ar misturado com o meu.

Falamos de trabalho. Faculdade. Da viagem. Das suas garotas e dos meus novos amigos gays. Minha vontade era de calar sua boca, porque cara, ouvir sobre seu presente e lembrar que fiquei no passado era uma droga. Mas você gosta de mostrar o quanto sua vida mudou. Tudo bem. Eu aguento. Mais alguns passos. Mais algumas risadas. Chegamos.

Sabia que sair naquela sexta não era uma boa ideia. A cada coisa que dava errado enquanto eu aprontava, tipo achar meu sapato e o secador, tinha mais certeza disso. Mas eu sou teimosa e nem ligo pra essas coisas. Iria até de pijama. Não pensei que pirei. Eu só precisava saber até onde eu ainda iria por você.

Aquela multidão me fazia querer te abraçar. Eu odeio multidões e música alta. Mas eu amo você. Poderia jurar então que não estava tocando funk. Jurar que as pessoas ao nosso redor nem existiam. Eu só tinha olhos para os seus olhos. Como eles brilhavam. E eu sentia que um terremoto estava prestes a acontecer toda vez que você chegava mais perto. Diz no ouvido. Não tô ouvindo. Diz com a boca, mas diz na minha, porque é assim que vou entender tudo de mais importante que você tem à dizer.

Uma bebida. Sua barba. Luzes piscando. O xadrez da sua blusa. Roda gigante. Seus olhos. Alargador. Mãos na cintura. Poeira levantada. Sua boca. Minha boca. Nossa respiração. Foi.

Mesmo tendo vivido tanta coisa longe um do outro, algo ainda me conectava em você. Eu nem precisava contar nada. Sabíamos só de olhar. Independente das outras mensagensda caixa de entrada. Independente de onde estaríamos no próximo final de semana.

Lembro que você me perguntou como seria depois e eu chorei. Você levantou meu rosto com os dedos e perguntou porque eu estava triste. Eu te olhei e respondi que não era tristeza. Era alívio. Por saber que ainda existe alguma coisa no mundo que faz meu corpo tremer.

Nos abraçamos e ficamos conversando o resto da noite. Até você me deixar na porta de casa. Até eu te perder de vista na esquina. Deitei na cama do mesmo jeito que cheguei. Bati porta, ignorei broncas e deixei a luz apagada. Fico imaginando como seria voltar no tempo. Como se isso fosse mudar alguma coisa. Colocar a culpa no destino parece tão fácil quando o que falta mesmo na gente é coragem. Mas tudo bem. Em algum momento eu me perderia daqueles pensamentos e dormiria. No outro dia tudo fica menos complicado. Não é assim? Pra gente não.

Antigas lembranças nos levam para antigos lugares. Antigos lugares nos levam para antigas escolhas. Dúvidas são sempre uma merda.

Sabe aquela maldita sensação que fica quando um filme de comédia romântica acaba? Aquela que vem depois do “felizes para sempre”. The End. É exatamente assim que me sinto toda vez que a gente se vê. Sei que é pra sempre, mas sei também que mesmo assim, acabou.

Melhores Blogs :

Oii , hoje vou postar os melhores blogs (na minha opinião) que eu amo :

Depois dos quinze – Bruna Vieira http://www.depoisdosquinze.com/

Borboletas na Carteira – Jéssica Flores http://borboletasnacarteira.virgula.uol.com.br/

Garotas Estupidas –  Camila Coutinho  http://www.garotasestupidas.com/

Just Lia – Lia Camargo  http://justlia.mtv.uol.com.br/

Taradas por Moda –  Gabriela Martins & Sued Lima  http://taradaspormoda.com/

Marimoon – Marimoon  http://marimoon.mtv.uol.com.br/

Os melhores mesmo  , aiai !! sempre leio  adoroo .. hahahaha !! *—*

De:Laura Guedes