CONFIA EM MIM?

Por: Isabela Freitas

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Dia desses uma amiga confessou que se tivesse um desejo, ela escolheria ser um mosquitinho para escutar as conversas dos homens por um dia. Ora, e porque diabos eu teria vontade de escutar as conversas do sexo oposto por um dia? Afinal, eles dificilmente dizem o que pensam. Ouso dizer pelo pouco que sei, que homem é mais reservado que mulher quando se trata de dizer tudo aquilo que sente e pensa (com algumas raras exceções, claro), ainda mais quando o assunto é relacionamentos. Aí que eles empacam de vez!
Nós mulheres adoramos sentar em uma mesa de bar, e desabafar nossas mágoas com quem tiver paciência para ouvir. Pode ser garçom, taxista, vendedor, barman… Na hora do aperto até aquela garota que a gente não gosta vira confidente. Eu, que não sou exemplo algum, sempre me pego desabafando com algum desconhecido que por uma noite vira meu melhor amigo e a única pessoa capaz de me entender. É reconfortante, e se você nunca fez algo parecido, recomendo correr o risco.
Acho que seguramos tantos sentimentos e coisas por falar dentro de nós, que vemos em um rosto desconhecido um porto seguro de nossas informações ultra secretas. Parece que ali naquele terreno, é permitido dizer tudo aquilo que escondemos de nossos amigos, família, namorado. E eu me pergunto,  isso tudo é medo de que as pessoas saibam realmente quem nós somos? É medo de dizer o que se pensa? É medo de ser o que você só é quando está em sua própria companhia? É o medo do ”ser”? Medo do ”sentir”?
Posso estar divagando, ou até equivocada, mas acredito que nós temos medo de mostrar toda a imensidão do que somos. Temos medo de dizer o que pensamos, afinal de contas, e se não formos aceitos? Temos medo de inovar, terminar, recomeçar, se jogar. Temos medo de tudo aquilo que não é certo e comprovado por fatos científicos. Deve ser por isso que temos medo do amor, e de tudo aquilo que envolva sentimento. E aqui, o medo é igual para todos.
Homens e mulheres que dia após dia, saem por aí armados até os dentes, vestindo grossas armaduras, e tudo isso por que? Para não parecerem alvos fáceis aos olhos do arcanjo que inocentemente, só quer dar uma flechada certeira. No fim do dia, homens e mulheres tiram suas armaduras, cessam fogo, e voltam ilesos para seus esconderijos cercados de muralhas que imploram por cair terra abaixo. Será que vale a pena viver em guerra consigo mesmo? Não é muito melhor viver de peito aberto? Que venham quantas flechadas forem necessárias. Uma, duas, três. Que elas abram feridas, sangrem, e que um dia eu tenha uma boa história para contar sobre minha coleção de cicatrizes.
Não é sadio viver à espreita do medo, desconfiando da própria sombra, guardando tudo o que se pensa em um cantinho do coração. Um dia esses pensamentos vão transbordar, você vai precisar de um espaço maior, e eu não quero estar por perto quando isso acontecer. BUM. Explosão. É isso que acontece quando você mistura emoções que foram feitas para serem vividas. Não guardadas.
Portanto, permita-me discordar da minha amiga. De nada adianta escutar as conversas do sexo oposto por um dia. Eu queria mesmo é me infiltrar dentro do pensamento de um certo alguém. Poder segurar suas dúvidas e dá-lo certezas. Carregar seus problemas junto aos meus. Entender um olhar, um sorriso, meias palavras. Tirar o passado da gaveta, incinerar toda e qualquer evidência de suas decepções. Revirar e bagunçar sua cabeça à procura de qualquer indício de que tudo aquilo que sinto é recíproco. Transformar o teu silêncio em palavras, o nosso sentimento em amor, e o nosso ”agora” em ”para sempre”.
Vem, não tenha medo. Você só precisa responder uma pergunta para ir de encontro à felicidade:
– Confia em mim?

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